Poetas Infantis: Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e Ruth Rocha

O universo infantil de brincadeiras e descobertas pode ser uma grande inspiração para os mais brilhantes poetas. Diversos poetas que fizeram parte da história da literatura brasileira enveredaram pelo caminho da poesia infantil. Conheça os principais nomes desse estilo de poesia e se encante também.

Poesias Infantis

Poesias Infantis

Cecília Meireles

A poetisa Cecília Benevides de Carvalho Meireles, conhecida apenas como Cecília Meireles, foi um dos grandes nomes da poesia infantil. Quando falamos sobre esse tema na poesia não tem como não pensar em Cecília, que nasceu no Rio de Janeiro em 1901.

O gosto pelo universo infantil e pelas letras se deram em grande parte pela avó Jacinta, que criou Cecília desde muito pequena, pois os seus pais morreram quando ela ainda era muito pequena. A avó de Cecília estava sempre cantarolando uma canção infantil ou mesmo algumas famosas cantigas.

Na casa de Cecília havia um grande quintal em que ela vivia as suas mais fantásticas aventuras imaginárias. Além disso, na casa de vó Jacinta tinham muitos livros e, por isso mesmo, eles foram presença constante na vida de Cecília desde sempre.

Além de poetisa, Cecília foi professora e jornalista. Aos 18 anos já havia publicado seu primeiro livro. Um dado muito importante é que foi ela quem fundou a primeira biblioteca infantil do país.

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Conheça alguns dos seus principais poemas:

A Língua de Nhem

Havia uma velhinha

que andava aborrecida

pois dava a sua vida

para falar com alguém.

E estava sempre em casa

a boa velhinha

resmungando sozinha:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O gato que dormia

no canto da cozinha

escutando a velhinha,

principiou também

a miar nessa língua

e se ela resmungava,

o gatinho a acompanhava:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Depois veio o cachorro

da casa da vizinha,

pato, cabra e galinha

de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam

a falar noite e dia

naquela melodia

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

De modo que a velhinha

que muito padecia

por não ter companhia

nem falar com ninguém,

ficou toda contente,

pois mal a boca abria

tudo lhe respondia:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

A Avó do Menino

.A avó

vive só.

Na casa da avó

o galo liró

faz “cocorocó!”

A avó bate pão-de-ló

E anda um vento-t-o-tó

Na cortina de filó.

A avó

vive só.

Mas se o neto meninó

Mas se o neto Ricardó

Mas se o neto travessó

Vai à casa da avó,

Os dois jogam dominó.

Sonhos da menina

A flor com que a menina sonha

está no sonho?

ou na fronha?

Sonho

risonho:

O vento sozinho

no seu carrinho.

De que tamanho

seria o rebanho?

A vizinha

apanha

a sombrinha

de teia de aranha . . .

Na lua há um ninho

de passarinho.

A lua com que a menina sonha

é o linho do sonho

ou a lua da fronha?

Vinicius de Moraes

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Um dos grandes nomes da poesia e da música brasileira também se dedicou a criação de belas poesias infantis. O poeta, que tinha como nome de batismo Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes, nasceu no Rio de Janeiro e seu apelido era “O Poetinha”.

Além de um grande poeta, Vinicius de Moraes também foi diplomata, jornalista e compositor. A obra desse grande nome da literatura é bastante vasta e as parcerias mais marcantes que ele fez durante a sua vida foram com Tom Jobim, Carlos Lyra e Toquinho.

As poesias infantis de Vinicius sempre têm um toque de inocência e também uma dose de descoberta de algo novo. Esse é um dos motivos que faz com que até os dias de hoje o poeta seja levado para a sala de aula de muitas escolas para ensinar as crianças a se apaixonarem por poesia.

Conheça algumas das poesias infantis de Vinicius de Moraes

A Casa

Era uma casa

Muito engraçada

Não tinha teto

Não tinha nada

Ninguém podia

Entrar nela não

Porque na casa

Não tinha chão

Ninguém podia

Dormir na rede

Porque na casa

Não tinha parede

Ninguém podia

Fazer pipi

Porque penico

Não tinha ali

Mas era feita

Com muito esmero

Na Rua dos Bobos

Número Zero

As Borboletas

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam

Na luz

As belas

Borboletas

Borboletas brancas

São alegres e francas.

Borboletas azuis

Gostam de muita luz.

As amarelinhas

São tão bonitinhas!

E as pretas, então

Oh, que escuridão!

O Peru

Glu! Glu! Glu!

Abram alas pro Peru!

O Peru foi a passeio

Pensando que era pavão

Tico-tico riu-se tanto

Que morreu de congestão.

O Peru dança de roda

Numa roda de carvão

Quando acaba fica tonto

De quase cair no chão.

O Peru se viu um dia

Nas águas do ribeirão

Foi-se olhando foi dizendo

Que beleza de pavão!

Glu! Glu! Glu!

Abram alas pro Peru!

Ruth Rocha

Imagem de Amostra do You Tube

Provavelmente, quando você era criança leu algumas das obras de Ruth Rocha, um dos maiores destaques no universo de poesia e literatura infantil. Ruth nasceu em São Paulo e na sua infância leu muitos gibis e livros infantis, o que contribuiu para a criação do seu estilo.

No ano de 1969  ela teve as suas primeiras histórias publicadas, dentre os quais se destacam: “Meu Amigo Ventinho”, “O Dono da Bola”, “Teresinha”, “Romeu e Julieta”, “Catapimba e Sua Turma” e “Gabriela”.

O ano de 1976 marcou a publicação de seu primeiro livro chamado “Palavras Muitas Palavras”. Esse foi o primeiro de muitos livros que Ruth publicou. Dentre as suas obras estão livros didáticos, de ficção, dicionários e outros. Estima-se que foram mais de 130 títulos da autora publicados.

As suas obras foram traduzidas para mais de 25 idiomas e quem ainda não conhece o livro “Marcelo, Marmelo, Martelo” não pode deixar de ler, mesmo que já não seja mais criança. Ruth recebeu os principais prêmios que uma autora de livros infantis pode receber.

Ruth Rocha

Ruth Rocha

Conheça alguns de seus poemas:

“O Rato

Roeu

A Roda

Do Carro

Do Rei

Da Rússia.

O Rato

Morreu

De dor

De barriga”.

As Coisas que a Gente Fala

As coisas que a gente fala

saem da boca da gente

e vão voando, voando,

correndo sempre pra frente.

Entrando pelos ouvidos

de quem estiver presente.

Quando a pessoa presente

É pessoa distraída

Não presta muita atenção.

Então as palavras entram

E saem pelo outro lado

Sem fazer complicação.

Mas ás vezes as palavras

Vão entrando nas cabeças,

Vão dando voltas e voltas,

Fazendo reviravoltas

E vão dando piruetas.

Quando saem pela boca

Saem todas enfeitadas.

Engraçadas, diferentes,

Com palavras penduradas.

Mas depende das pessoas

Que repetem as palavras.

Algumas enfeitam pouco.

Algumas enfeitam muito.

Algumas enfeitam tanto,

Que as palavras – que

Engraçado!

- nem parece as palavras

que entraram pelo outro

lado.

(…)

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