Economia do Dom: Primórdios Econômicos

Também denominada “economia da oferta” consiste em teoria que se relaciona com as ciências sociais e tem como base o conjunto de doações de bens e serviços que possuem valor alto e que acontece entre membros da mesma sociedade. De forma prática a forma de doação acontece sem a expectativa de receber algo em troca de forma imediata, como acontece de forma usual em investimentos de mercado ou na época clássica em escambos nos quais aconteciam trocas de produtos e não a doação em si.

Economia do Dom: Primórdios Econômicos

Economia do Dom: Primórdios Econômicos

DOM X Mercado

A economia do dom tem diferença fundamental no que tange aos conceitos de econômicos do mercado. Vale ressaltar que o primeiro exemplo tem referência apenas ao valor do serviço ou bem e também objetivam valorizar pessoas físicas ou empresas que recebem as ações. Em contra partida sob a ótica de valorização a economia de mercado se baseia no ato de valorizar de acordo com o valor da troca ao beneficiar compradores e vendedores. Nesse sentido se convêm dizer que não existe conversão entre as duas modalidades econômicas, conforme indicam os principais conceitos de ambas os modos de encarar a economia.

Economia do Dom: Ciclo Econômico Primitivo

Há quem diga que o ato de doar em termos econômicos consiste em reciprocidade que são definidas por regras no sentido de organizar e ao mesmo tempo evitar com que aconteçam problemas ilícitos, como no caso da lavagem de dinheiro, por exemplo. Ao olhar histórica pode ser considerada como a forma primitiva em termos de negócios, em épocas nas quais acontecia a troca de bens com produtores que ainda não tinham produtos necessários para se equivaler em termos de mercado ou de demanda.

Não se pode ignorar o fato de que grande parte dos especialistas nesse tipo de economia tem formação antropológica e busca o entendimento de como acontecia o ciclo econômico em formas primitivas. Depois dos primeiros estudos modernos surgiu o termo “dom” para se referenciar ao processo em si. De acordo com o pensador Marshall Sahlins, um dos mais conhecidos na área, nas épocas das Pedras a natureza do ciclo econômico se baseava no excesso de oferta, ao contrário do que acontece nos dias atuais, quando o mundo sofre carência em consequência da escassez de produtos e serviços com relação a demanda que apenas crescem sob a ótica do crescimento vegetativo (aumento populacional).

Primórdios e Modernismo: Economia da Oferta à Escassez

Nos primórdios havia abundância de recursos naturais e pouca oferta, apesar da grande distância que existia entre os povos e a carência em termos de transportes rápidos para fazer as negociações. Nos dias de hoje as formas de transportam evoluíram ao passo que a oferta se sobrepõe para a demanda e resulta no ciclo econômico da escassez.

Lewis Hyde: Economia de Oferta em um Grande Banquete

Lewis Hyde também consiste em outro pensador conhecido por desenvolver trabalhos que se relacionam com a economia do DON. De acordo com o teórico, os rituais indígenas sobre a partilha dos alimentos representa exemplo pragmático em termos de economia da oferta. Ou seja, poucos participavam da caça, mas a tribo em si celebravam em conjunto as conquistas em um grande banquete que existia inclusive convidados de outras regiões para melhorar o nível de diplomacia entre povos distintos. Sob a ótica das análises de Hyde se convém afirmar que a doação era difundida como forma de cultura e a forma de ganho acontecia por causa da felicidade e fortalecimentos dos laços afetivos entre os componentes da sociedade.

Wendy James: Economia do Dom     

Outro pensador que não pode ser esquecido em termos de explicações sobre o que venha a significar o termo “economia do dom” está em Wendy James que traz estudos interessantes do comportamento existente das tribos que se situam no nordeste da África. De acordo com o pensador na região existe a proibição de vender doações, ou mesmo encarar as mesmas com bens de capitais.

Nesse sentido qualquer forma de alimento ou oferenda que cruze a tribo precisa do consumo imediato por parte do coletivo. Ou seja, não existe a possibilidade de investir para conquistar algo em troca. Exemplo interessante está no conjunto de animais que quando doados precisam ser compartilhados entre os integrantes da tribo de forma imediata e não procriado para gerar novos filhotes e renda sob a ótica dos negócios.

Interessante notar que de acordo com os pensamentos do teórico a oferta perecível representa a dádiva para frente, em busca da evolução da tribo que tem a proteção dos deuses. Hyde indica que de acordo com a cultura, lenda e folclore popular há a proibição de receber trocar ou exigir dádivas divinas com o ato de ofertar em termos de oferenda, visto que o futuro de quem não segue as regras está no óbito imediato ou em curto prazo.

A economia do dom de forma prática pode acontecer em pequenos grupos, inclusive nos momentos em que existem conjuntos econômicos que se forma de modo planificado.

Questões Sociais

Em diversos tipos de sociedades existem questões sociais ao que se refere à política de doações. Um exemplo interessante está na adoção, ou seja, a família pode doar um filho, no entanto não tem o direito de ganhar dinheiro com a adoção. Outro ponto interessante entre economia do dom e questões sociais está na tolerância ao que tange às atividades de origem sexual entre o público adulto, desde que o dinheiro não esteja envolvido, o que se cunha como prostituição. Em determinadas sociedades quando acontece sexo em troca de quantias financeiras o ato é considerado como criminoso.

Outro ponto que não pode ser ignorado consiste no ato de doar os órgãos. Em mercado negro pode existir o comércio de forma ilegal que tem a capacidade de originar dinheiro em espécie e quantias altas. De forma universal se pode dizer que existem punições quando acontecem vendas de órgãos, quase todos os países punem a prática do gênero. Em termos práticos os familiares doam os órgãos sem a necessidade de receber algo em troca.


Artigo Escrito por Renato Duarte Plantier

 

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