Carcereiros de Drauzio Varella: Uma Reunião de Histórias Dramáticas e Divertidas

O livro “Carcereiros” de Drauzio Varella repete o sucesso da primeira obra do autor “Estação Carandiru”.  O segundo livro faz parte de uma trilogia pensada pelo médico autor, que será seguido pelo título, “Prisioneiras”, que contará a experiência de Drauzio Varella na penitenciária feminina da cidade de São Paulo.

A obra “Carcereiros” pode ser definida como um livro dramático e ao mesmo tempo divertido. As 232 páginas contam as histórias de homens que são encarregados de controlar a “temperatura de uma panela de pressão”, e não deixá-la explodir, o que está sempre prestes a acontecer. Esse foi o modo que o autor encontrou para descrever um presídio que a qualquer momento pode virar uma praça de guerra.

As ideias de Drauzio Varella, os relatos, não nascem do acaso e nem do mundo da fantasia, mas sim, de uma convivência de anos com esses presidiários, que ao contrário do que muita gente possa imaginar, não se encerrou em 2002, quando a casa de denteção Carandiru foi desativada. De algumas pessoas, o médico contou ter se tornado amigo íntimo, declarou em algumas entrevistas, e além disso, ainda faz todos os meses um encontro para troca de ideias e claro, é sempre uma oportunidade para ouvir novas histórias.

Com o passar do tempo, as histórias contadas pelo autor nesse livro,  ficaram guardadas na sua memória e com as poucas horas livres, que normalmente é o que sobra, na sua rotina, foi relembrando e colocando no papel aqueles episódios que vivenciou.

Drauzio Varella conviveu de perto com aqueles presos, teve um contato direto com eles. E por isso, segundo declarou em entrevistas, não foi difícil traçar o perfil de cada um deles, em detalhes, não só físicos, mas também de caráter, mesmo tanto tempo depois.

Os agentes penitenciários descritos nas páginas do livro “Carcereiros” foram “transformados” nas páginas do livro por Drauzio Varella em “grandes conhecedores” de sociologia e psicologia. Com essas habilidades eles são capazes de prever algumas situações, através de pequenos indícios, e evitar grandes tragédias. Porque no livro, o autor lembra que estava num lugar onde os presos eram diferentes, em relação ao crime que cometeram, de um assalto chegando a um assassinato ou um estupro.

Um Dia Trágico” : Primeira História do Livro

“Um dia trágico”, com esse título Drauzio Varella começa o seu livro e conta a primeira história dos carcereiros. Se trata de um relato de um episódio que aconteceu em 2 de outubro de 1992: uma rebelião no pavilhão 9. A situação, segundo relatos do livro, foi mal conduzida pela polícia militar e acabou com 11 presos mortos.

Em algumas entrevistas, para divulgar o livro, Drauzio Varella não deixou de dar sua opinião sobre o episódio. Segundo ele, não era preciso da intervenção da polícia, os carcereiros teriam contornado a situação sem causar tantas mortes. O médico defende essa opinião porque acompanhou de perto, naquele dia, o trabalho dos agentes penitenciários do pavilhão 8. Ele disse ainda, que os presos daquele setor concordaram em ficar trancados nas suas celas evitando que a ação policial durasse ainda mais e fizesse mais mortos.

Entre os seus relatos sobre a vida no cárcere, o médico faz questão de ressaltar que a relação agente penitenciário e preso mudou ao longo dos anos e não de maneira positiva. Segundo ele, atualmente, um carcereiro quase não fala com um detento, enquanto antes, ele respeitava o código de conduta criado pelos presos e só entrava para conter uma rixa entre eles, quando se tratava de uma situação extrema. Além disso, o médico autor faz questão de ressaltar que o código de conduta dos presos é muito mais severo do que aquele da sociedade, pois a sentença é dada rapidamente, assim como a execução da mesma.

Nos textos do livro “Carcereiros” Drauzio fala também de como o drama vivido por um agente penitenciário, convivendo com a violência dentro da prisão, interfere na sua vida particular, na sua relação com a família, amigos, etc. Segundo ele, a pressão faz com que muito desses profissionais se entreguem a vícios.

Alguns Personagens do Livro

“Carcereiros” é um daqueles livros com personagens que fascinam o leitor, como por exemplo, o agente Mano Gordo, que é descrito como um homem muito magro, que está sempre de mau humor. Porém, quando está com a esposa, Ester, uma mulher cheia de vida, fica mais simpático. Na história, Mano Gordo está sempre as voltas tentando manter em segredo o seu caso com a prima da esposa, Emília.

O leitor também pode se divertir com Romeu, descrito como um carcereiro intransigente, muito severo, que batia a porta com muita força para anunciar a sua presença. Tão rigoroso que na sua presença presidiários e funcionários ficavam em posição de sentido até que ele desse o sinal para descansar.

Entre as histórias engraçadas envolvendo Romeu, está aquela com a participação de outro agente, Irani, que foi testemunha do dia em que Romeu saiu do banho. Ele viu ajudantes que secavam e colocavam talco nas axilas de Romeu e ainda o ajudavam a vestir o terno, colocar a gravata e calçar os sapatos, que eram muito bem engraxados.

De Irani, o médico autor diz que era um carcereiro que tinha tantas histórias para contar.

O livro “Carcereiros” de Drauzio Varella, com 232 páginas, foi editado pela Companhia das Letras, a mesma que editou “Estação Carandiru”. A obra também está disponível na versão e-book e pode ser encontrada em qualquer livraria.

Sobre O Autor: Drauzio Varella

Drauzio Varella antes de ser autor é um médico oncologista reconhecido pelo seu trabalho e sua capacidade na medicina brasileira. Já fez programas de televisão e em 1999, publicou o seu primeiro livro, “Estação Carandiru”, que tornou-se um grande sucesso. A história era um relato seco e muito direto da vida dentro do maior presídio da América do Sul, situado na cidade de São Paulo.

O médico autor trabalhou como voluntário na Casa de Detenção de São Paulo por 13 anos.

O livro vendeu mais de 500 mil cópias e recebeu prêmios importantes, a consagração total aconteceu quando a história foi adaptada para o cinema por Hector Babenco.

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