História Da Venezuela

A Venezuela é um país pertencente à América do Sul, que tem como nome oficial República Bolivariana da Venezuela. O país é constituído por uma parte continental e pequenas ilhas localizadas no Mar do Caribe.

A área total da Venezuela é de 916445 quilômetros quadrados, ficando na 32ª posição no ranking de maiores países em território do mundo. O país faz fronteira com a Colômbia pelo seu lado oeste, com o Mar do Caribe pela sua parte norte, com a Guiana pela sua parte leste e com o Brasil pela sua parte sul. Tem soberania de 71295 quilômetros quadrados de mar territorial.

A Venezuela é muito conhecida pelas suas reservas de petróleo e também pela diversidade ambiental em que há no seu território, sendo um país que possui recursos naturais bem diversos. Está na lista dos países megadiversos, possuindo uma fauna muito variada, além de vários habitats protegidos.

Além de ser rico em recursos naturais, o país é rico em cultura, e possui uma história muito extensa. Vamos acompanhar com detalhes a história desse país tão belo.

A História Da Venezuela

A história desse país passa por diversos momentos, começa sendo um dos primeiros territórios habitados pelo homem na América do sul, passando pela colonização da região, partindo para a Independência, vivendo um período de oligarquia conservadora e um período de ditadura, chegando à consolidação da democracia e vivendo atualmente a pior crise da história do país. Vamos acompanhar todos esses períodos com detalhes:

  • Primeiros Homens

Acredita-se que o território venezuelano possua habitantes desde 15 mil anos atrás, o que o torna um dos primeiros a ser habitado pelo homem em toda a América do Sul. Apesar de ter sido habitada tão pioneiramente, o território se distingue dos países vizinhos andinos, que por um período possuíam grandes civilizações no período chamado de pré-colombiano, que é como é chamado o período antes da chegada dos europeus.

 História Da Venezuela

História Da Venezuela

A região era habitada, no geral, por pequenas tribos, que viviam da pesca, caça e da coleta de produtos naturais da região, tais tribos não eram organizadas de maneira complexa, não podendo considerar uma sociedade organizada. A maioria dos homens dessas terras vivia no litoral e ao redor dos rios.

  • Descoberta Pelos Europeus

Cristóvão Colombo ancorou na península de Paria em sua terceira viagem a América, no dia 6 do mês de agosto do ano de 1498, ele acreditou que tal península era uma ilha, e a chamou de “Terra de Gracia”.

No ano de 1499, Alonso de Ojeda chegou ao país, navegando ao longo do Mar do Caribe até o lago Maracaibo. Ele chamou aquele território de “Venezuela”, pois encontrou certa semelhança entre as casas indígenas do território, feitas em palafitas, e a cidade de Veneza na Itália.

  • Colonização Pelos Espanhóis

    Bandeira da Venezuela

    Bandeira da Venezuela

A primeira cidade fundada no país foi à cidade de Santa Cruz, no ano de 1502. O primeiro a governar foi o próprio Alonso de Ojeda, que governava as terras desde o Cabo de la Vela (atual Colômbia) até o Cabo de Chichiriviche, a jurisdição era chamada de Coquibacoa.

Nos primeiros anos da colonização espanhola, o maior interesse dos europeus eram as ilhas próximas à costa nordeste, onde era possível pescar pérolas, após alguns anos ocorre o esgotamento das ostras do local, e então eles partem para oeste, para explorar novas terras. No ano de 1523 é criado o primeiro estabelecimento permanente dos espanhóis, a cidade de Cumaná.

No ano de 1528 o território passa a ser uma província da Espanha, a província da Venezuela. Nesse mesmo ano, o rei Carlos V, que tinha muitas dividas para com os banqueiros alemães Fugger, concebe todo o território da província a eles, como forma de quitar suas dívidas. Apesar de ter sido paga a dívida, os alemães não tiveram muita sorte no local, exploraram por diversas vezes o território em busca de pedras preciosas, mas nunca tiveram sucesso.

No ano de 1546 o território venezuelano volta para as mãos da coroa espanhola. No ano de 1591 a província de Trinidad é desmembrada da Venezuela, e a região da Guiana recebia maior atenção dos conquistadores.

Coroa Espanhola

Coroa Espanhola

Os holandeses chegam no ano de 1627 e ocupam o território da Guiana, depois, entre os anos de 1634 a 1636 eles conquistam também as ilhas de Curaçao, Aruba e Bonaire. La Guaita e transforma em província no ano de 1562, quando são acrescentadas ao seu território as cidades de Táchira, Mérida, Barinas. Além disso, nesse período é criada também a província de Nova Andalucía. Caracas foi criada no ano de 1567.

A atividade agrícola começa a ser feita no território por volta da segunda metade do século XVI, o trabalho era feito por escravos. Nessa época já havia mais de vinte núcleos de colonização no território pertencente ao país, sendo localizados no litoral do mar do Caribe e nos Andes. Nos séculos seguintes, por volta de XVII e XVIII outras regiões vão sendo ocupadas devido às missões católicas, o primeiro convento do país foi construído no ano de 1516, próximo ao rio Cumaná.

No século XVIII o país muda completamente, tendo uma economia bem mais fortalecida. NO ano de 1717 é incorporado ao vice-reino de Nova Granada, no ano de 1725 é fundada a primeira Universidade do país, a Real e Pontifícia Universidade de Caracas.

No ano de 1728 é criado a Companhia Guipuzcoana de Caracas, que tinha como principal função a venda de cacau e a distribuição de mercadorias vindas da Espanha no país. Essa Companhia também reprimia o tráfico de escravos que ocorria principalmente na ilha de Curaçao. Mas a Companhia foi dissolvida na década de 1780, pois os seus trabalhos contrariavam as vontades dos produtores venezuelanos, que tinham bastante força.

  • Primeiras Tentativas De Independência Da Venezuela E Primeira República

Os movimentos independentistas no fim do século XVIII, como a participação na revolta dos Comuneros, que ocorre em 1797. Francisco de Miranda organiza uma expedição de patriotas venezuelanos no ano de 1806, com o intuito de desembarcar nas terras venezuelanas partindo dos Estados Unidos, mas não teve êxito.

Mas esses movimentos todos tiveram pouca força, a verdadeira revolução venezuelana ocorre quando a Espanha passa a ser governada por Napoleão Bonaparte, e os criollos iniciam tal revolta. No início os representantes espanhóis são derrubados do governo no território e então é estabelecida uma junta governativa, a ideia era salvaguardar os direitos do rei espanhol Fernando VII, que foi preso na França por Napoleão.

Os nomeados foram Cristóbal Mendoza, Baltasar Padrón e Juan de Escalona. Eles foram os que declararam a independência no dia 5 de julho do ano de 1811. Nesse período, Francisco de Miranda retorna a Venezuela e toma o comanda da nova república. Essa reação teve uma baixa em 1812, quando um terremoto atingiu Caracas, onde estava a maioria das populações rebeldes, eles então foram traídos e derrotados. Miranda, que estava embarcando para o Reino Unido, foi detido e enviado a Espanha como prisioneiro. Nesse momento Simón Bolívar recebeu salvo-conduto para ir a Curaçao.

  • Continuação do processo de independência: Segunda e Terceira República

Após esses primeiros conflitos, Simón Bolívar passa a comandar as forças venezuelanas, ele é um dos principais nomes do movimento de independência. Ele invadiu a Venezuela e sofreu diversas derrotas pelas forças espanholas, mas conseguiu conquistar Caracas no ano de 1813, mas perdeu o controle em pouco tempo. Novamente, em 1814 a segunda república foi extinta e os patriotas tiveram que se exilar.

Simón Bolívar

Simón Bolívar

Os patriotas ficaram dois anos em exílio, e reiniciaram a luta com a ajuda do presidente da nova República do Haiti e soldados irlandeses e britânicos. No ano de 1816 ele consegue o posto de presidente da República, consolidando a terceira república.

Como presidente ele liberta Nova Granada durante a batalha de Boyacá, no ano de 1819, que unifica o seu exército com o da Venezuela. Então é proclamada a República da Grande Colômbia, que reunia Nova Granada e Venezuela, no dia 17 do mês de dezembro do ano de 1819. No ano de 1819 é criado o congresso de Angostura, onde é apresentada a nova Constituição do país.

A guerra no país reinicia no ano de 1820, são incorporados os habitantes da região do Maracaibo a causa da independência, e isso reinicia a guerra, já que esses habitantes estavam em região de domínio espanhol. O exército de Bolívar derrota o exército na batalha de Carabobo no ano de 1821, no dia 24 de junho, e no ano de 1823 as últimas forças do Puerto Cabello são derrotadas.

Bolívar tinha o sonho de unificar a América hispânica, ele parte em marcha em direção ao sul, com a intenção de libertar a Espanha, e também acaba com o domínio espanhol sobre a Bolívia. Durante os meses de fevereiro a dezembro do ano de 1819, Simón Bolívar fica como presidente da Venezuela, depois, ele passa a ser presidente da Grã-Colômbia.

Bolívar se ausenta da Grã Colômbia por um tempo, e começam a ocorrer algumas rivalidades entre os países que a integravam. Então, em 1829 a Venezuela deixa o tratado para se tornar um país independente.

  • Período de Oligarquia Conservadora: Quarta República

Após deixar a Grã-Colômbia a Venezuela tem início ao seu período chamado de Quarta República. O chefe de estado era o militar José Antonio Páez, que apoiou o movimento separatista em contragosto ao desejo de Bolívar, que havia o dado o poder de comando. É criada uma nova Constituição, dessa vez mais conservadora, focando em um estado centralista, mantendo a escravidão e restringindo o voto.

José Antonio Páez

José Antonio Páez

José Antonio Páez se mantém no poder entre os anos de 1831 até o ano de 1848, após governar de forma constitucional. Durante o seu governo o país passou por estabilidade econômica, após muitos anos de guerra. A exportação de cacau e café se torna a base da economia do país.

Durante o governo de Paéz é fundado o Partido Liberal, no ano de 1840, comandado por Antonio Leócadio Guzmán, que reivindicava os direitos retirados da população, como o direito ao voto e a abolição da escravatura. Eles se manifestavam por meio do jornal El Venezolano. Nesse período começa um movimento de oposição ao governo conservador, que foi fomentada por uma crise econômica que começava a se instalar no país.

Começa então um período de caos e violência no país, principalmente entre os anos de 1843 e 1848, quando começa uma ditadura no país, que dura até 1858. Um pouco antes do início da ditadura o general José Tadeo Monagas é eleito constitucionalmente, e apesar de ser conservador, ele tenta o apoio dos liberais, da mesma forma a ditadura se instala no país. Nesse período de caos quem segue no poder é José Tadeo e José Gregorio Monagas, irmãos. Eles governavam por meio de ditadura, porém, com intervenções populistas, limitando a ação do Congresso.

Durante esse período os liberais conquistaram o que desejavam: extensão do direito ao voto, abolição da escravatura, banimento da pena de morte, porém, não foram realmente realizadas, tudo sendo aprovado somente no papel. José Tadeo tenta aprovar uma nova constituição onde o mandato presencial era estendido para seis anos, porém os liberais e conservadores se unem contra ele, e ele deixa o poder em 1858.

Começa então na Venezuela um período de agitação política entre os conservadores e os liberais. Nesse período de instabilidade, o general Páez retorna e assume o poder durante os anos de 1861 a 1863, mas ele é derrotado pelos liberais, que aprovam uma nova Constituição no ano de 1864 e colocam Juan Falcón no poder.

Juan Falcón

Juan Falcón

Mas a guerra civil retorna ao país em 1868, e o novo líder a assumir é Antonio Guzmán Blanco, que governa durante os anos de 1870 a 1877, e depois entre 1879 a 1884, posteriormente entre 1886 a 1888. Ele é o responsável por tornar o estado laico, e por modernizar a economia do país, a Venezuela começa a caminhar em direção a democracia quando é realizada sua primeira eleição, no ano de 1881. Apesar de o cenário ser positivo, o seu governo traz alguns prejuízos ao país.

Em 1882 Joaquín Crespo assume o poder que perdura até o ano de 1898, em seu governo a desordem civil era constante, sendo nessa época também que se intensificam as disputas pelas fronteiras da Venezuela e Guiana. Essas disputas ocorreram por vários anos, até que em 1899 os Estados Unidos interferem e dão o parecer favorável contra a Venezuela, que nunca reconheceu tal sentença e ainda reclama o território até os dias atuais.

  • As Ditaduras Andinas

No ano de 1899 o general Cipriano Castro, que comandava o estado de Táchira, ocupa Caracas e assume a presidência. O governo dele foi marcado por um período de revoltas internas e intervenções externas. Castro deixa o poder com Juan Vicente Gómez, e viaja para a Europa, no ano de 1908.

Juan Vicente Gómez

Juan Vicente Gómez

Juan Vicente Gómez fica no poder até o ano de sua morte, em 1935. Durante esse período longo ocorrem algumas substituições presidenciais, ocorrendo até a eleição constitucional de Juan Bautista Pérez em 1929, mas que é deposto em 1931. Gómez governa de forma em que ele anula a oposição e silencia a imprensa.

Nesse período ocorre a descoberta das grandes reservas de petróleo, antes da Primeira Guerra Mundial, o que torna o país já no ano de 1920 o maior exportador do produto. O presidente oferecia condições vantajosas a companhias estrangeiras que optam por ir explorar o produto no país.

Após a morte de Gómez assume Eleazar López Contreras, que era um pouco menos liberal e progressista, ele começa a estabelecer a democracia no país, ficando no governo até 1941. O próximo governante, Isaías Medina Angarita, continua com a instalação da democracia, devolvendo as liberdades civis e criando uma base popular para seu governo. No período da Segunda Guerra mundial ocorre uma baixa na renda venezuelana.

  • Consolidação Da Democracia: Primeira Tentativa

Medina é deposto no ano de 1945 pela força de um grupo de oficiais do Exército que haviam se aliado ao Partido de Ação Democrática. O líder do partido, Rómulo Betancourt, assume o poder por 28 meses.

A nova Constituição é promulgada no ano de 1947, essa trazia ideais trabalhistas. O presidente eleito é Rómulo Gallegos, mas o seu mandato é curto e acaba após oito meses da sua subida ao poder, devido as medidas que ele tomou contra os militares que enriqueceram durante a ditadura. Ocorre então um novo golpe de Estado no ano de 1948.

Rómulo Gallegos

Rómulo Gallegos

É formado uma nova junta militar que é liderado por Marcos Pérez Jiménez e Carlos Delgado Chalbaud, esse último é assassinado no ano de 1952, e então Jiménez assume o poder sozinho, impondo um governo ditador novamente, proibindo a oposição e não reconhecendo os resultados das eleições do ano de 1952. O seu governo focava na modernização da capital e não se preocupava com as áreas mais pobres do país. Ele sofre um golpe de estado no ano de 1958, onde é instalada uma nova junta civil-militar governada por Wolfgang Larrazábal.

  • Consolidação Da Democracia: Segunda Tentativa

Novas eleições são feitas em dezembro de 1958, dessa vez elas são livres e honestas. Rómulo Betancourt assume o poder e governa até 1964 em seu primeiro mandato, sendo reeleito para um segundo. Ele governou com base em ideias esquerdistas, mas sendo bem moderado em suas decisões, ampliou a base social de seu governo, lançou planos de modernização industrial e agrícola, promoção da educação e da saúde.

No ano de 1961 é aprovada uma nova Constituição no país. Durante o governo de Betancourt ocorrem várias tentativas de golpe militares, tendo elas pouco sucesso. O presidente sofre até uma tentativa de assassinato, feita por agentes dominicanos impulsionados pela oposição da Venezuela ao presidente da República Dominicana, a relação com Cuba também é deteriorada, pois Fidel Castro apoiava as guerrilhas na Venezuela.

Nas novas eleições o vencedor é Raul Leoni, do partido Ação Democrática. Durante o seu governo ocorre um período de prosperidade na indústria petrolífera, que acaba acelerando os projetos sociais e econômicos do governo.

No ano de 1968 ocorre uma vitória inusitada, a da oposição ao governo anterior, subindo ao poder o representante Rafael Caldera, que representava a sociedade cristã. Essa é a primeira vez no país desde a sua independência que um sucessor da oposição ao governo anterior sobe ao poder sem alterar a normalidade constitucional, podemos dizer que aqui vemos um grande marco para a consolidação da democracia.

No governo de Caldera o país consegue uma forte estabilidade econômica e politica. O seu programa de governo não era muito diferente do governo anterior. Ele cria medidas para melhorar a relação com Cuba, e com os ditadores militares que governavam os países da América Latina. Na década de 1970 a Venezuela possuía controle majoritário sobre os bancos privados estrangeiros e também sobre a indústria mundial de gás natural.

Rafael Caldera

Rafael Caldera

As próximas eleições dão continuidade à estabilidade nacional, dessa vez quem assume o poder é o representante do Partido de Ação Democrática, Carlos Andrés Pérez. Ele promove as relações com os Estados Unidos, e investe fortemente na infraestrutura industrial do país. Pérez nacionalizou a indústria do minério de ferro e a de petróleo.

No ano de 1973 o preço do petróleo quadruplica o que faz com que o país tenha altos lucros. Nesse período uma onda consumista passa pela Venezuela, o que faz com que a inflação tenha um aumento considerável. Quando os preços do petróleo baixam, o país se encontra em uma crise econômica.

As novas eleições ocorrem em 1978, elegendo Luis Herrera Campins que tinha um governo social-cristão. A crise econômica se agrava ainda mais nesse período, o que começa a gerar inquietação da população. No ano de 1984, a eleição de Jaime Lusinchi da Ação Democrática foi contestada por todos os partidos.

  • A Quarta República: Período de Crise na Venezuela

De qualquer forma, Jaime Lusinchi assume o poder e lança um programa bem rigoroso para melhorar a economia, o que não agrada a população. Durante o seu governo a política era neoliberal que mantinha um modelo focado na renda vinda do petróleo, o que deixava o país muito vulnerável, como a principal base da economia do país é o petróleo, se ocorriam oscilações no seu preço no mercado internacional o país sofria. Nesse período o país se afunda em crise econômica, social, politica e também aumento da corrupção. O presidente tenta negociar a dívida pública do país que tinha se tornado muito alta devido à queda do petróleo de 1970, para melhorar sua situação, mas o pagamento é suspenso em 1988.

Pegando o país com uma situação conturbada, Carlos Andrés Pérez é eleito novamente em 1988. Ele inicia seu governo reduzindo as despesas financeiras do país, o que fez aumentar a sua renda per capita, porém, aumentou também o desemprego e as desigualdades sociais. Devido as várias medidas radicais tomadas por Pérez para tentar recuperar a economia a população começou a se revoltar, iniciando uma onda de greves que causaram a morte de mais de trezentas pessoas.

Carlos Andrés Pérez

Carlos Andrés Pérez

A instabilidade política se instala no país, junto dela ocorre o aumento do tráfico de drogas, que assusta a população. Alguns oficiais militares dão início ao plano de um golpe de Estado, comandados por Hugo Chávez Frías, mas a tentativa falha acaba com a prisão de Hugo Chávez em 1992.

O presidente é acusado de desvio de dinheiro público e é destituído do cargo devido a um impeachment por corrupção no ano de 1993, e no ano seguinte ele é preso. O presidente que assume é Ramón José Velásquez, que assume como interino até as próximas eleições, por cerca de oito meses.

As novas eleições ocorrem em 1993 e é eleito Rafael Caldera representando o partido a Convergência Nacional. Ele se mantém no governo por cinco anos, período de grave crise financeira da Venezuela, adotando um programa econômico recessivo.

O cenário no país era extremamente preocupante, ele passou de um dos países mais promissores da América Latina para um local cheio de dificuldades econômicas, crise bancária e aumento da pobreza e do desemprego. O presidente adota um novo programa econômico onde tenta controlar os preços, intervir no mercado financeiro, congelar o câmbio, dentre outras medidas que desagradam à população e levam a revoltas populares entre os anos de 1996 e 1997.

Nesse período os três partidos que haviam se mantido no governo por vários mandatos seguidos, mais exatamente 44 anos, perdem o prestígio. O que traz ao país candidaturas duvidosas. Uma delas é a de Hugo Chávez, que saiu da prisão após ser anistiado por Rafael Caldera.

Hugo Chávez

Hugo Chávez

Hugo Chávez se candidata como representante do partido fundado por ele, o Movimiento V República, e vence as eleições de 1998 com 56% dos votos.

  • A Quinta República: Início De Uma Era Marcante

O mandato de Hugo Chávez tem início no ano de 1999. Ele prometeu modificar o Legislativo do país e promover a redistribuição da renda nacional. Ele convocou um plebiscito para que o povo opinasse sobre a criação a Assembleia Nacional Constituinte, o parecer da população foi favorável, e em abril de 1999 começa a ser redigida uma nova Constituição.

São convocadas eleições então para formar a Assembleia Nacional Constituinte, e Chávez se pões completamente a disposição da mesma, caracterizando ela como a autoridade máxima do Estado. Em agosto, Chávez faz o primeiro decreto executivo para reorganizar todos os órgãos do poder público.

É aprovada a nova Constituição no dia 15 do mês de dezembro de 1999, ela fazia parte do projeto de Chávez de transformar o país. Ele convocou uma assembleia para a votação da população para saber se a Constituição seria aprovada, somente 46% da população comparecem as urnas, e ela é aprovada por 71,2% dos votantes. Começa então o processo de mudanças das estruturas políticas, econômicas e jurídicas do país.

  • A Quinta República: O Chavismo

A nova Constituição criada pela Assembleia foi à vigésima sexta na história da Venezuela.

Entre as principais mudanças estavam: o aumento do mandato do presidente de cinco para seis anos e a possibilidade de uma reeleição consecutiva, a não subordinação do poder militar ao civil, a extinção do Congresso e do Senado (substituídos pela Assembleia Nacional), aumento dos direitos culturais e linguísticos da população indígena, além da alteração do nome do país para República Bolivariana da Venezuela. A Constituição considerou nulos os atos ocorridos antes de sua entrada e vigor, dessa forma foram convocadas novas eleições. Chávez é eleito para um mandato que iria de 2001 a 2007.

Chávez começa o seu programa de revolução bolivariana, o nome escolhido por ele é baseado nas ideias de Simón Bolívar, tendo como objetivo chegar ao socialismo. Mas rapidamente a oposição cresce contra Chávez, ocorrendo manifestações e tentativas de golpe de Estado. O presidente promove a nacionalização de vários setores da economia, estatiza a principal siderurgia do país. Ele promoveu também a nacionalização da “Petróleos de Venezuela”, começando por volta do ano de 2000 e terminando 2007.

No ano de 2002 o país enfrente uma crise política quando Chávez demite os gestores da “Petróleos de Venezuela” e os substitui por pessoas de sua confiança. O país enfrentava, novamente, uma crise política, social e econômica, o que leva a um golpe de estado em abril de 2002, sendo Chávez destituído. Mas o golpe durou somente 48 horas, já que as forças leais a Chávez revogaram sua destituição e ele reassumiu a presidência. No ano de 2004 um referendo sobre a permanência do presidente é realizado, e 58,25% dos votos são favoráveis.

No ano de 2006, Hugo Chávez é reeleito para um novo mandato com duração até o ano de 2013. No ano de 2007 ele tem o seu primeiro referendo reprovado pela população, ele também sai derrotado em eleições regionais que ocorrem em 2008, mas, em 2009 a maioria da população vota a favor de um novo referendo seu, a possibilidade de reeleição ilimitada.

Em 2012 Chávez anuncia a nacionalização de 11 plataformas de petróleo norte-americanas, além disso, ele já havia estatizado fábricas presentes no país, originárias de outros locais. Ele é novamente reeleito nesse ano, mas dessa vez com uma diferença de votos bem pequena.

  • A Pior Crise Da Venezuela: Contexto Histórico

Após ser anunciada a morte de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, o vice presidente, assumiu o poder de maneira provisório até serem organizadas novas eleições. As novas eleições ocorreram em 2013, e Nicolás Maduro venceu o candidato da oposição e se tornou presidente eleito.

Nicolás Maduro

Nicolás Maduro

Nicolás Maduro subiu a presidência de um país extremamente problemático. O governo de Chávez havia mantido a sua promessa de buscar justiça social através da maior riqueza do país, o petróleo, que foi realmente feito. Chávez conseguiu promover a distribuição de renda no país, aumentou o Produto Interno Bruto, diminuiu a pobreza no país, reduziu a mortalidade infantil, mas, em contrapartida, ocorre uma corrosão da democracia do país.

Grande parte da população era defensora do governo de Chávez devido as suas medidas que mostravam resultados bons para a população, mas ele foi tomando pequenas medidas que fizeram com que o seu poder se perpetuasse, o que acabou criando também uma forte oposição ao seu governo.

Portanto, Maduro sobe ao poder com uma instabilidade já instaurada, que foi se reforçando com o decorrer dos anos. Nicolás Maduro aumentou ainda a oposição contra as suas medidas, com diversas denúncias de poder contra ele. Junto de uma crise política, o país enfrenta a sua maior crise econômica e social.

Mesmo sendo eleito, Nicolás Madura passou por uma oposição muito forte, a oposição tentou revogar o mandato do presidente, mas para isso eles tinham que recolher 4 milhões de assinaturas da população, mas a coleta dessas assinaturas foi adiada de forma que beneficiou Maduro.

  • A Crise Econômica Na Venezuela

A Venezuela é o país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, e a sua economia se baseia quase que completamente no produto. No início do ano de 2014 o petróleo começou a se desvalorizar no mercado internacional, o que fez com que o país perdesse grande parte da sua renda.

Durante o governo de Chávez todas as medidas sociais tomadas eram financiadas pelo dinheiro vindo do petróleo, o que tornou o país extremamente dependente do mesmo. Todos os governantes do país, e em principal Chávez, não focaram em investir em outros setores do país, como a indústria e a agricultura, com isso, a maioria dos produtos essenciais para a população era comprada e não produzida em seu território.

O baque veio quando o barril de petróleo teve uma desvalorização descomunal no ano de 2014, passando de US$111,87 para US$48,07 em menos de oito meses. Isso interferiu diretamente no PIB do país, e também no abastecimento do mercado venezuelano, ou seja, o governo simplesmente não tinha dinheiro para comprar os produtos necessários para a população, como remédios, alimentos, papel higiênico, que quase sumiram dos mercados, e quando são encontrados os preços são absurdos.

Essa situação foi piorando a cada ano chegando a uma situação absurda, nunca antes vivida por nenhum país da América Latina. Milhares de venezuelanos passam fome, e dados apontam que em 2017 a população emagreceu em média 11 kg, as mães não tem condições de criar os seus filhos e entregam eles a autoridades, muitas famílias comem alimentos estragados, outras a nem isso tem acesso, muitas pessoas morrem nas filas de hospitais.

No ano de 2017 o presidente dos Estados unidos, que não apoia o governo de Maduro, impôs sanções à economia da Venezuela, o que forçou o país a reduzir a quantidade de petróleo exportado, agravando ainda mais a situação do país. Além disso, a Petróleos de Venezuela também passou por uma má gestão, o que resultou em dados negativos quanto à exportação.

Em dados estatísticos podemos ver a situação que o país tem enfrentado: a inflação do país ultrapassou 1300000% no ano de 2018, ou seja, os preços dos produtos variam de forma absurda. A pobreza do país passou d 23,6% para 61,2% em 2017, e a tendência é que ela piore. Entre os anos de 2013 e 2017 o PIB do país caiu 37%. O salário mínimo do país corresponde a R$ 77,00.

  • População Refugiada

A crise fez com que muitos habitantes deixassem o país em busca de melhores condições em nações vizinhas. Quase três milhões de pessoas já deixaram o país desde 2015, e estima-se que até 2019 esse número ultrapasse os cinco milhões.

Os países que mais receberam os refugiados foram o Peru e a Colômbia. No Brasil o estado que recebeu mais pessoas foi Roraima. Muitos venezuelanos são recebidos de forma violenta também em outros países, vivendo vários quadros de xenofobia.

Refugiados Venezuelanos

Refugiados Venezuelanos

  • A Crise Política

As disputas politicas no país também só aumentam. Chávez já enfrentava uma oposição forte, e Madura que estabeleceu um regime mais autoritário no país, conquistou uma oposição extremamente rigorosa, que ele combateu com muita violência.

Em 2015 a oposição conseguiu eleger a maioria dos parlamentares do país, o que trouxe uma pressão sobre Maduro. Como forma de combater a oposição, Maduro convocou uma Assembleia Constituinte para uma nova Constituição para o país. Esse seu ato foi extremamente criticado, e Maduro foi acusado de usar a Assembleia para enfraquecer a oposição e também de fraudar a votação.

Em meio a essas disputadas políticas, ocorre também a explosão das manifestações sociais contra o governo, que reagiu reprimindo a população com violência, havendo denúncias de que os militares executavam quem se manifestava contra o governo. No ano de 2019 em uma manifestação foram presos mais de 77 menores de idade, fato que chocou o mundo. Nos últimos anos foram presos no país mais de 850 pessoas, sendo o número mais elevado já visto no país.

No ano de 2018 são realizadas novas eleições no país, e Maduro conquista a vitória com 68% dos votos. Mas essa reeleição de Maduro não foi reconhecida pela oposição, por ter ocorrido à participação de somente 46% da população. Além disso, várias nações internacionais não reconheceram também a reeleição.

Protestos Venezuelanos

Protestos Venezuelanos

No começo de 2019 o presidente da Assembleia Nacional de auto proclamou presidente interino do país, tal proclamação foi rejeitada por Maduro, mas reconhecida por alguns países, como: Canadá, Estados Unidos, Brasil, França e Espanha. Já outros países, como Rússia, África do Sul, China e Cuba declararam apoio a Maduro.

Madura contínua na presidência principalmente pelo apoio a ele vindo dos militares, que foi conquistado com o oferecimento de cargos importantes no governo aos generais. O país corre risco de uma guerra civil e também da intervenção de americana em seu território.

Os Estados Unidos e outras nações internacionais ofereceram ajuda humanitária ao país, que foi negada pelo governo, que alega que o mesmo ofereceu tal ajuda somente como uma forma de forçar a troca de regime no país. Para não receber tal ajuda Maduro fechou as fronteiras do país com Colômbia, Aruba e Brasil.

A Suprema Corte é acusada de ser pró-Maduro. Em 2017 ela retirou a imunidade dos parlamentares da Assembleia Nacional da Venezuela e tentou colocar seus governantes para assumir as suas funções.

Tudo indica que a crise no país ainda está longe de seu fim.

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