A Representação da Mulher pela Arte

A análise da representação da mulher pela arte em diferentes períodos históricos nos faz compreender como a figura feminina era vista e interpretada pelos valores sociais de cada época. Conforme o tempo passou e as ideias vigentes foram transformadas a mulher passou a ser representada de diferentes maneiras. Tal análise é interessante também no âmbito das transformações dos valores sociais.

A Imagem Feminina na Arte

Podemos observar que a imagem feminina representada pela arte teve como base alguns arquétipos que durante muito tempo estiveram arraigados no imaginário masculino que muitas vezes era o encarregado de tal representação. Dentre as características iniciais da imagem da mulher na arte podemos citar a beleza física e estilo maternal. Essa imagem foi mudando com a passagem do tempo e ganhando outros significados. Abaixo vamos falar um pouco sobre a imagem feminina em diferentes momentos históricos.

A Representação da Mulher pela Arte na Pré-História

A arte foi criada na pré-história embora sem o significado que tem hoje para nós, isto é, não tinha como objetivo a beleza ou a cultura. A humanidade anda ereta há milhões de anos, contudo, foi somente a aproximadamente 25 mil anos que os nossos ancestrais começaram a realizar atividades que deram origem a objetos artísticos.

Vênus de Willendor

Os objetos da época eram confeccionados para a proteção contra o sobrenatural. Dentre os objetos mais antigos entalhados pelos nossos ancestrais da pré-história estão esculturas de pedra, marfim e chifres de animais. As figuras eram entalhadas com o auxílio de um objeto afiado e já tinham representação da tridimensionalidade. A estatueta mais famosa desse período é a Vênus de Willendor, 25000-20000 a. C.

Um objeto com cerca de 11 cm de altura e que representa uma mulher com formas bastante avantajadas que indica sua capacidade de reprodução. A fertilidade certamente era algo muito importante nessa época e os historiadores acreditam que as imagens como essa estatueta e que são chamadas de Vênus eram esculpidas pequenas para que pudessem ser transportadas junto aos povos nômades. A veneração a essas imagens sugere que eram usadas em rituais.

A Representação da Mulher pela Arte na Idade Antiga

Podemos dividir a chamada Idade Antiga em três segmentos que são: Egito Antigo, Grécia Antiga e Roma Antiga. É interessante observar coimo a figura feminina era representada em cada uma dessas localizações.

A Figura Feminina no Egito Antigo

A arte egípcia tinha forte caráter religioso e por isso mesmo boa parte das figuras representadas pela mesma eram de deuses. Os egípcios acreditavam na vida após a morte e que deveriam honrar os seus deuses ainda em vida para que pudessem encontrar alento depois de partirem. A arte de maneira geral no Egito Antigo não tinha viés artístico e suas representações eram de figuras com o corpo representado de frente enquanto a cabeça está de perfil. As figuras femininas eram basicamente figuras das deusas.

A Figura Feminina na Grécia Antiga

Os gregos tiveram um papel muito importante no desenvolvimento da arte com rigor técnico. Na história da arte grega estão muitas estátuas que se tornaram famosas até os dias atuais devido a idealização dos padrões de beleza que possuíam. A figura do homem era recorrente nas criações gregas, as representações em geral eram de homens nus e com corpo atléticos que nem sempre correspondiam totalmente as formas dos modelos. Representações femininas se restringiam as figuras das deusas uma vez que a mulher não tinha status na sociedade.

A Figura Feminina na Roma Antiga

Os romanos extraíram muito da arte grega, mas ao contrário dos gregos eles tinham mais rigor em relação à representação realista das formas sem o apego a idealização da beleza. As mulheres podiam ser representadas na forma de busto ou de estátua, contudo, era comum que as figuras femininas que eram retratadas somente o fossem por estarem ligadas a homens proeminentes.

A Representação da Mulher pela Arte na Idade Média

A Idade Média foi um período em que a Igreja Católica dominou o segmento artístico e social. Nessa época havia grande medo em relação ao sobrenatural e a necessidade de estar sempre protegido por imagens divinas. A pintura que se estabelece nesse período fica restrita aos temas e usos da Igreja, nesse período se desenvolveu bastante a técnica do afresco que é um tipo de pintura feita numa parede em que o reboco ainda não está seco.

As temáticas das pinturas eram claramente religiosas e em muitos casos imitavam as imagens reproduzidas em livros religiosos. Devemos atentar para o fato de que poucas pessoas tinham o privilégio de saber ler e que as pinturas tinham como objetivo contar as histórias da Bíblia para doutrinar os fiéis. A arte tinha uma função social para a Igreja. O período da Idade Média teve dois estilos artísticos predominantes: Romântica e Gótica.

Arte Romântica na Idade Média

Esse estilo predominou durante toda a Alta Idade Média e somente deu lugar ao gótico no final do período considerado medieval. Nas pinturas feitas durante o período medieval não vemos perspectiva e as figuras de seres humanos eram representadas sem volume já que não existia a preocupação de representar a natureza tal qual ela é.

Observa-se ainda que as figuras humanas das pinturas medievais possuíam olhos muito grandes e bem abertos assim como halos (círculo de luz sobre a cabeça) para tornar a representação divina. Essas pinturas possuíam uma grande variedade de cores chapadas que recebeu o nome de Colorismo.

Arte Gótica na Idade Média

O estilo gótico tem origem germânica e as pinturas com essas características tem algo que já anuncia as transformações realizadas pelo Renascimento. Existe mais realismo na representação de pessoas, mas ainda não se vê muito o estabelecimento de representação do espaço com distanciamento entre os objetos. As figuras eram representadas menos deformadas e eretas acompanhando a arquitetura.

A escultura assim como a pintura gótica também tinham ligação com as temáticas da Igreja Católica. As mulheres que aparecem retratadas na Idade Média são santas da Igreja ou então vultos que são representações das Virgens. Essas imagens em algum momento foram representadas com finalidade de adoração.

A Representação da Mulher pela Arte na Idade Moderna

Essa é a época do Renascimento, período em que os artistas querem que renasça a arte que foi deixada como legado para a humanidade pelos gregos e romanos. Nesse período os artistas, em especial os grandes mestres italianos, retomam o uso e estudo de técnicas como a perspectiva, o uso do claro-escuro (chamado de sfumato) e o realismo. Essa época foi de busca pelo rigor científico da representação do ser humano.

No que concerne à figura feminina das pinturas e esculturas podemos observar que a silhueta e o rosto da mulher passou por transformações significativas. O padrão de beleza mudou, pois enquanto as damas aristocráticas magras com ancas estreitas e pequeninos seios faziam sucesso na Idade Média, no Renascimento, as mulheres tidas como belas eram aquelas de ancas largas e seios fartos. As obras de grande destaque desse período são: Madonas de Rafael Sanzio e Monalisa de Leonardo da Vinci. Foi nessa época que surgiu a figura do mecenas (homem rico que patrocina as artes).

A Representação da Mulher pela Arte Idade Contemporânea

Certamente o momento em que eclodiu a maior participação feminina como produtora de arte foi no século XX. Nos séculos anteriores muitas mulheres tiveram seu trabalho artístico suprimido pelos homens. A emancipação feminina realizada no século passado foi de grande importância para que sua imagem na arte fosse transformada tanto como figura representada como aquela que produz a arte.

É importante ressaltar que esse despertar para a mulher como produtora de arte somente foi possível através do trabalho incessante de mulheres fortes nos séculos XVIII e XIX. Ainda persistem representações femininas em que o foco está na aparência da mulher, contudo, nas últimas décadas se tem dado mais voz ao público feminino. Atualmente, já existe a discussão a respeito da objetificação feminina na arte, algo que era impensado no início do século passado.

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Categoria(s) do artigo:
Arte

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