História do Vidro

Basta dar uma pequena olhada a sua volta para se deparar com vidros, seja nas janelas da sua casa ou até no copo de suco que te servem na lanchonete. Um dos materiais mais importantes em termos de aplicação em itens do dia a dia, o vidro, está presente na vida de muitas pessoas. A seguir você poderá conhecer melhor a história desse material e entender como ele evoluiu ao longo dos milhares de anos em que está acompanhando a humanidade.

Primórdios do Vidro

A descoberta do vidro aconteceu por acaso quando mercadores fenícios fizeram uma fogueira e se depararam com a formação de um material transparente, mais ou menos 5.000 a.C. Isso aconteceu devido à combinação do fogo, de blocos de nitrato de sódio (que eram usados como base para as panelas) e a areia da praia. A reação desses elementos deu origem a uma superfície transparente que até então era desconhecida.

Um dos primeiros saltos evolutivos na produção do vidro veio por volta de 100 a.C. através dos romanos que já utilizavam técnicas de sopro para confeccionar as suas janelas em moldes. A relevância dos vidros pode ser medida historicamente pelas taxas e impostos que eram cobrados dos vidreiros pelo imperador Constantino, em cerca de 300 d.C.

Evoluções Técnicas

O vidro plano se tornou uma realidade entre 500 e 600 d.C. devido a uma técnica de sopro de uma esfera com posterior ida ao forno. Esse método foi o mais utilizado até o século 20. Em torno de 1.300 Veneza, na Itália, descobriu a técnica do vidro moldado a rolo que tem origem no Oriente. Foi nessa época que teve início a história da produção de vidro artístico na ilha italiana de Murano. O cristal foi criado nessa época.

Esse foi um período bastante profícuo para a produção do vidro plano especialmente pelo desenvolvimento de uma técnica revolucionária de sopro de cilindros. A combinação da força centrípeta e do sopro devido a movimentação do cano dava origem a um cilindro com 50 cm de diâmetro e até 3 metros de comprimento. Para que o vidro de tornasse plano era levado a um forno que recebeu o nome de ‘estendeira’ porque estendia o cilindro.

Espionagem e Técnicas Secretas

O fabrico de vidros, a partir da Idade Média, se tornou cercado por muitos segredos e perícia de profissionais especializados. Havia uma aura de espionagem industrial e uma série de restrições familiares sobre a divisão desses segredos. Entre os séculos 18 e 19 algumas técnicas desenvolvidas pela França foram aplicadas na Inglaterra, porém, com muito custo.

O exemplo que ilustra essa dificuldade certamente é o início da produção de vidro ‘Crown’ trefilado na Inglaterra que aconteceu no ano de 1680 através do trabalho de John Bowles que se valeu de suborno e roubo da técnica francesa. A França se tornou reconhecidamente uma das nações com maior excelência na produção de vidro devido a empresas como Compagnie de St. Gobain que foi responsável pelo envidraçamento do Palácio de Versalhes.

Revolução Industrial

A produção massiva de vidro para mercados nacionais e internacionais teve início durante a Revolução Industrial. Um dos principais impulsos para o desenvolvimento de técnicas moderna para fabrico de vidro veio da indústria automotiva que teve seu início no século 20. O crescimento do segmento de vidro industrial está fortemente ligado a dois métodos de produção do material, o processo de flutuação (float) e processo da folha estirada.

No século 19 ainda havia dificuldade para o fabrico de vidro por estiramento, no ano de 1857, William Clark, tentou produzir folhas estiradas, porém, enfrentou sérios problemas de acinturamento que só viriam a ser resolvidos em 1904 por Fourcault, na Bélgica. O século 20 assistiu ao fortalecimento de três grandes expoentes vidraceiros no Ocidente, França (com sua tradição), Inglaterra (como berço da Revolução Industrial) e Bélgica (nação de Fourcault).

Indústria Americana do Vidro

O continente europeu foi o grande responsável pelo desenvolvimento do fabrico moderno de vidro, contudo, não demorou para que os Estados Unidos desenvolvesse-se como uma potência no setor no século 20. Na terra do Tio Sam foi desenvolvido o processo conhecido como Colburn ou Libbey Owens que significava uma espécie de refinamento do que foi criado para Fourcault.

O processo de estiramento da Pittsbourgh Plate Glass Company era melhor do que as técnicas europeias. A indústria norte-americana cresceu ainda mais quando na década de 20, a Ford Motor Company, deu início a uma produção em massa em novas bases tornando o seu vidro ainda mais aperfeiçoado.

Resposta do Reino Unido

A consolidação do Reino Unido no mercado do vidro se deu através da fundação da Pilkington Borthers m 1826. Contudo, a resposta a expansão norte-americana veio em 1923 quando a St. Helens Crown Glass Company realizou uma série de experimentos relacionados ao processo que Ford utilizava para criar folhas de vidro maiores.

No ano de 1938 foi à vez da Pilkington criar um equipamento contínuo de prensagem que utilizava cilindros para desgaste e polimerização se tornando mais competitiva a nível industrial. A configuração da indústria do vidro no ocidente, na década de 1940, estava de tal forma que havia quatro nações poderosas: França, Inglaterra, Bélgica e Estados Unidos. Cada uma dessas nações contavam com um seleto número de fabricantes que se encontravam isolados por suas patentes.

Vidro Float – Processo de Flutuação

Uma das grandes revoluções no segmento de fabrico de vidros se deu no ano de 1952 quando a Pilkington desenvolveu a técnica do vidro float que consiste em fazer vidro derretido flutuar em estanho também em estado derretido dando origem a uma folha tão plana quanto placas prensadas e polidas. A técnica tornou o processo de fabrico mais econômico e dinâmico.

No ano de 1955 já havia uma grande quantidade de produtos fabricados em larga escala na St. Helens em que o vidro tinha cerca de 2,5 metros de largura. Essa técnica fez com que a Pilkington Brothers se tornasse a principal empresa do segmento de vidros especialmente com a sua proteção pelas patentes e licenças.

Integração que Fez o Mercado Crescer

Na década de 80, a Pilkington, era de longe a principal empresa do segmento de vidro e para afirmar com mais segurança essa posição adquiriu a norte-americana Owens Ford (LOF) e a Flachglas que dava controle ao ramo alemão da French BSN Gervais-Danone. No ano de 1979, a BSN, deixou de fabricar vidros, mas suas instalações eram bastante interessantes.

Outra empresa que cresceu significativamente foi a japonesa Asahi que adquiriu parte das instalações da BSN assim como a Glaverbel na Bélgica. No ano de 1971 surgiu a Guardian Industries dos Estados Unidos como uma forte competidora no mercado tendo desenvolvido uma instalação para flutuação. Essa tornou-se a principal indústria norte-americana possuindo também uma instalação em Luxemburgo.

O cenário comercial dos anos 1980 tornou o crescimento e interpenetração das indústrias primárias em nações da Europa e países como Estados Unidos e Japão mais complexos. Muitas das principais indústrias do vidro fazem parte de holdings multimilionárias que não tem divulgadas suas cifras. O principal esforço da indústria passou a ser o de concentrar esforços para tornar o vidro mais barato e fácil de fabricar.

Futuro do Vidro

Uma das questões primordiais que a indústria do vidro precisará resolver diz respeito ao custo elevado para as instalações e fabrico de vidros por flutuação. A técnica que foi desenvolvida há décadas precisa passar por reinvenções para que se encontre diversificação nos produtos obtidos.

Mesmo no que se refere à indústria primária é possível observar inúmeras possibilidades derivadas de variações químicas e uso de novas técnicas. Nas próximas décadas o vidro tende a se tornar mais forte na indústria secundária e na de instalação.

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