Aspectos Humanos Da Angola

A Angola é um país pertencente ao continente africano, localizado em sua costa ocidental. Seu território é delimitado nas regiões norte e nordeste pela República Democrática do Congo, ao lado leste pela Zâmbia, ao lado oeste pelo Oceano Atlântico e na sua extremidade sul pela Namíbia.

A área total do país é de 1.246,700 quilômetros quadrados, e em toda sua extensão habitam cerca de 29,78 milhões de pessoas. A capital da Angola é a cidade de Luanda.

Breve Histórico Do País

Desde meados do século XV os portugueses já estavam presentes no território que atualmente pertence ao país, eles interagiam com os povos nativos de diversas formas. A delimitação do território aconteceu no começo do século XX, quando ocorre a Conferência de Berlim, no ano de 1885, e que tinha como intuito decidir quais países europeus dominariam os territórios do Continente africano.

A partir da definição do território da Angola como colônia de Portugal, os povos europeus começam a ocupar o território, a ocupação efetiva ocorre por completo na década de 1920. Algumas décadas depois tem início uma forte guerra de libertação, a mesma é conquistada no dia 11 do mês de novembro do ano de 1975.

Após a libertação o país que deveria usufruir de tal liberdade, entra em um conflito interno, que durou desde o ano de 1975 até o ano de 2002, tal conflito foi motivado por divergências políticas, entre principalmente dois partidos: União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Algumas áreas do país mantiveram um sistema político monárquico.

No ano de 2000 é assinado um acordo de paz junto a Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda. A Cabinda é uma região pertencente ao país, mas que ainda estava sobre controle de estrangeiros. São dessa região que é proveniente 65% do petróleo do país.

Características da Angola

O país está entre os menos desenvolvidos do planeta, e também entre os mais corruptos do mundo. Sua estrutura política concentra o poder totalmente nas mãos do presidente, que possui um primeiro ministro e um conselho de ministros. O país teve somente três presidentes em sua história após a libertação, um deles, José Eduardo dos Santos, se manteve no poder do país por 38 anos, entre 1979 até o ano de 2017.

Administrativamente o país é dividido em dezoito províncias, e é o presidente que escolhe os líderes de cada uma delas. Geograficamente possui territórios com relevo elevado, onde há temperaturas agradáveis e uma estação de seca e outra chuvosa. Seu clima é temperado na parte litorânea, e todo o território no geral possui verões extremamente quentes e secos, e invernos bem amenos.

Bandeira da Angola

Bandeira da Angola

A Angola é um país com inúmeros recursos naturais, possuindo como um de seus bens mais preciosos reservas gigantescas de mineiras e de petróleo. Após o fim da guerra civil, e mesmo antes disso, o país vem apresentando altas taxas de crescimento em sua economia. As reservas de mineiras são várias, as principais são de fosfato, cobre, chumbo, manganês, ouro, diamante e petróleo.
Assim como a maioria dos seus países vizinhos, as principais atividades econômicas da Angola estão ligadas a produção agrícola, como de café, cana-de-açúcar, amendoim, sisal, batata, arroz, coco, algodão, borracha, banana, arroz e tabaco. Na parte pecuniária a indústria de maior destaque é a dos bovinos, seguida por caprinos e suínos.

Aspectos Humanos Da Angola

Conhecendo Os Seus Primeiros Habitantes:

O território foi habitado antes das civilizações por caçadores e coletores denominados coissão, eles eram bem pouco números e estavam dispersos em sua extensão.

A partir do segundo milênio ocorre a chegada dos povos bantos, que vieram pelo norte do país, e fizeram com que os povos coissã se estabelecessem somente ao sul daquelas terras. Até os dias atuais ainda há habitantes descentes dos coissã em terras da Namíbia e também no Botsuana.

Aspectos Humanos Da Angola

Aspectos Humanos Da Angola

Os povos bantos dominaram a imensa parte do território, eles eram caçadores e praticavam a agriculta, eles se organizavam na região baseando nas circunstâncias ecológicas do local e também na organização política e econômica.

Nos século XIV a XVII, teve o início do estabelecimento de reinos no território atual da Angola, o reino mais numeroso era o Reino do Congo, que abrangia a parte noroeste do território pertencente a Angola. Esse Reino teve o seu apogeu entre os séculos XIII e XIV. O Reino do Ndongo foi estabelecido ao sul do Reino do Congo, e abrangia parte noroeste da atual Angola.

Os povos no território se organizavam até então por meio de reinos, até que no ano de 1482 chega a foz do rio Congo a primeira frota portuguesa, que tinha como seu comandante Diogo Cão, que logo começou a se relacionar com o Reino do Congo. Esse foi o primeiro contato do povo angolano com os portugueses, e que futuramente definiria grande parte da sua história.

A Época Colonial E a Composição Do Povo Angolano

Durante o período colonial, vários portugueses passaram a habitar as terras da Angola, no ano de 1975, a população portuguesa no país contava com um número entre 320 a 350 mil pessoas.

Essa população de portugueses era formada em parte por pessoas radicadas no país e que já estão na sua terceira geração, desde a época colonial, e a parte mudou-se para o país durante o chamado colonialismo tardio, que ocorreu entre as décadas de 60 a 70, a grande maioria desse segundo grupo deixou o país quando ocorreu sua independência. No último milênio a população de portugueses vem novamente aumentada, principalmente pelo país fornecer algumas possibilidades de exploração empresarial, a população no ano de 2012 de portugueses no país era de cerca de 200 mil habitantes.

Ainda no último milênio ocorreu uma imigração de latinos americanos para o país, a maior parte deles sendo cubanos e brasileiros. Com isso, a população caucasiana no país passa a constituir cerca de 300 mil habitantes. Outro número considerável na população angolana é a de mestiços, pessoas com ascendência tanto europeia, devido a presença dos portugueses no país, como africana, vinda dos seus primeiros habitantes. Os mestiços no país são considerados uma “raça” divergente da negra ou branca. A população de mestiços no país atinge cerca de 2% da sua população, ou seja, cerca de 360 mil habitantes.

O país conta também com uma pequena população de refugiados (cerca de doze mil pessoas) e de requerentes de asilo (cerca de três mil pessoas), a maioria dos refugiados vieram da República Democrática do Congo. Durante os anos 90 e principalmente após o fim da Guerra Civil no país, começa a se formar uma população proeminente em seu território, a de imigrantes chineses, que atualmente constitui cerca de 260 mil habitantes.

No mais, a maioria da população angolana é de origem africana, compondo em média 95% de sua população. A maioria desses povos pertence aos africanos bantu com uma imensa diversidade de etnias. A etnia de maior relevância no país é a de do povo Ovimbundu, com estimação de um terço de sua população total, depois deles, há os povos Ambundu, que representam um quarto da população e os Bakongo, com cerca de um décimo. Além desses povos há também os Lunda – Côkwe, os Nyaneka-Nhumbi, os Xindonga, os Ovambo e os Gaguela, entre outros grupos menores.

Os povos de cada etnia, em sua maioria, permanecem ocupando as mesmas terras desde a chegada dos bantu no território, havendo apenas um período de migração das áreas rurais para as urbanas após o fim da era colonial. Após a independência e a Guerra Civil que assolou o país, ocorre um êxodo rural, e atualmente um pouco mais da metade da população reside em áreas urbanas.

Dados Demográficos:

Angola no Mapa

Angola no Mapa

Segundo dados de 2017 do censo de 2017, a população do país é de cerca de 29,78 milhões de pessoa, sendo a população bem equilibrada, porém em sua maioria mulheres, representando 50.5% da população total. Dados apontam que a população estimada para o ano de 2050 no país seja de 68 milhões de habitantes.

A taxa de fecundidade no país é de cerca de 6,2 filhos por mulher (2018), sendo uma das dez maiores do mundo. A expectativa de vida ao nascer dos homens é de 54,8 anos e das mulheres de 57,2 anos (2016). O país possui a maior taxa de mortalidade infantil do mundo, a cada mil nascidos, 156,9 crianças morrem até os cinco anos de idade.

A densidade demográfica no país é baixa, com cerca de 15 habitantes por quilometro quadrado, isso se deve ao fato do país possuir áreas extremamente pouco habitadas.

Línguas Usadas No País

A Angola tem como sua língua oficial o português, e há diversas línguas africanas faladas no país, algumas como estatuto de língua nacional. Cada língua falada varia de acordo com a etnia do grupo em que a pessoa esta inserida.

A língua mais falada no país é o umbundo, que é falada pelos ovimbundos, e como esses representam a maior parte da população, da mesma forma cerca de um terço dela fala o umbundo.

A segunda língua mais falada é o quimbundo, tendo um quarto da população como os seus falantes. Esses povos vivem principalmente em Luanda e Malanje, por isso, é uma língua de grande relevância no país, já que é falada pelos que vivem em sua capital, diversos vocábulos do português no país foram originários nessa língua.

Jovens Com a Bandeira de Angola

Jovens Com a Bandeira de Angola

Outro idioma de relevância no país é o quicongo, com diversos dialetos. Destacam-se também o ibinda ou fiote, o ganguela e o choque. Além das línguas citadas, há diversas outras espalhadas pelas regiões do país. Resumindo, a maioria da população fala alguma das línguas étnicas.

No geral, o português é a primeira língua de cerca de 40% da população, e a primeira ou segunda linda de cerca de 71% da população. As línguas étnicas com estatuto de língua nacional são seis no total: umbundo, quimbundo, chócue, ganguela, quicongo e cuanhama.

A Religião No País

O país conta com cerca de mil religiões diferentes, não havendo dados quanto ao número de fiéis que aderem a essas religiões.

Um pouco mais da metade da população esta ligada a Igreja Católica e também um grande número frequenta igrejas protestantes. Ainda há relevância no país das igrejas baptistas, frequentada principalmente pelos congos, metodistas, frequentada pelos ambundos, e congregacionais, frequentadas pelos ovimbundos. Há ainda uma pequena comunidade de luteranos e protestantes reformados. As igrejas pentecostais no país são frequentadas em sua maioria por imigrantes, principalmente os brasileiros.

Também se devem destacar as igrejas sincréticas, que misturam duas ou mais religiões. Os kimbanguistas e os tocoistas, sendo frequentadas de maneira significativa.

No geral, as religiões tradicionais africanas são pouco praticas, mas grande parte da população cristã mistura crenças e costumes herdados das religiões dos seus antecedentes.

Os muçulmanos no país representam cerca de 1% da população religiosa, e todos são sunitas. Uma parte da população não pratica qualquer religião, algo que foi comum após a independência. Em contrapartida, com a Guerra Civil e os problemas que o país enfrenta, muitas pessoas buscaram ajuda em sua fé, tendo adesão maior a diferentes religiões.

A Saúde Na Angola

Saúde Na Angola

Saúde Na Angola

O país está localizado na zona endêmica de febre amarela, causando problemas à população. No ano de 2005 a expectativa de vida no país era de 38,43 anos somente, tendo subido de forma importante nos últimos anos.

A mortalidade infantil no país também tem passado por uma redução, em 2005 ela era de 187,49 crianças a cada mil nascidos. No ano de 2002, a taxa global de morte no país foi de 24 a cada mil pessoas, atualmente (2016), ela está em 11,3 mortes a cada mil pessoas.

No ano de 2019 foi constatado que no país há cerca de meio milhão de pessoas com HIV/SIDA, sendo 65% desse número composto por mulheres, e cerca de 60% são jovens entre 15 a 24 anos de idade. Com a falta de recursos o país não consegue fazer uma campanha de prevenção forte com a doença.

Apenas 52% da população tem acesso a água potável (2019), e cerca de 60,13% tem acesso a saneamento básico (2019).

No ano de 2014 foi feito um decreto presencial onde o Instituto Angolano de Controle de Câncer passou a integrar o Serviço Nacional de Saúde no país, facilitando o acesso ao tratamento dos portadores da doença, assim como a instituição de programas de prevenção no país.

Ainda no ano de 2014 foi lançada uma campanha nacional contra o sarampo, percorrendo todas as dezoito províncias do país. O país possui um plano de eliminação do sarampo entre os anos de 2014 a 2020, isso ocorreu após um surto de sarampo no país, no ano de 2014.

A Educação No País

Educação Na Angola

Educação Na Angola

Após a independência do país, uma das prioridades foi a expansão do ensino, medida que foi realizada de maneira satisfatória, além de mover os recursos do país, foi fechado um acordo junto a Cuba (acordo na área da saúde e educação), e em colaboração ajudaram o país a se desenvolver fortemente, aperfeiçoando a qualidade dos professores, do ensino, e o território coberto.

Essa parceria durou quinze anos, e mesmo com os avanços advindos dela, a situação no país ainda não é satisfatória. Em lei, o ensino é obrigatório e gratuito a todas as crianças até os oito anos de idade, mas na prática há poucas escolas para atender a todas as crianças. Além da falta de locais, nas escolas existentes faltam materiais e alimentação, que são cobertas pelos estudantes.

Entre os anos de 2001 a 2014 o número de crianças matriculadas nas escolas subiu muito, mas ainda há cerca de 22% das crianças fora das escolas, outros dados mostram que 48% daquelas crianças matriculas não concluem o ensino primário. No país, somente 11% das crianças entre 3 a 5 anos de idade tem acesso a educação básica.

A desigualdade entre o acesso a educação no país é imensa, entre os meios rural e urbano. No meio rural somente 59% das crianças estão matriculadas nas escolas, já no meio urbano o número sobe para 78%.

Durante a Guerra Civil no país, que durou até o ano de 2002, mais de metade das escolas foram destruídas e saqueadas isso está totalmente refletido nos problemas educacionais presentes no país nos dias de hoje.

A taxa de alfabetização da população acima dos 15 anos de idade é de 71,1%, sendo a maioria desse grupo composta por homens. O governo tem lançado programas para melhorar esses números, apesar disso, a verba repassada para a educação da população é baixa.

Sobre os alunos que conseguem se formar, vários deles passam a frequentar instituições politécnicas, e também Universidades fora do país, como as brasileiras, portuguesas, russas e cubanas.

O acesso ao ensino superior cresce no país, a Universidade Agostinho Neto, fundada no ano de 1976, é a maior do país, e já contou com mais de 40 campus espalhados em seu território, no ano de 2009 ela foi desmembrada, e a partir dela formaram-se outras seis novas Universidades, cada uma delas criada para cobrir algumas províncias. Há também no país a Universidade Católica de Angola, localizada em Luanda.

A partir dos anos 90, surgem no país diversas universidades privadas, algumas ligadas a universidades portuguesas com sede no país, e outras de iniciativa angolana.

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