Monarquias Nacionais

A história é composta por diversos capítulos importantes que conduziram a humanidade até os dias de hoje. Quando observamos que a Igreja, embora ainda tenha uma grande importância em diversas culturas, está descentralizada da política, quase nem imaginamos que um dia foi essa instituição quem guiou as decisões mais importantes de grandes países europeus.

O surgimento das Monarquias Nacionais, por volta do século XI, a ascensão do capitalismo dentre outros acontecimentos foram os responsáveis por essa transferência de poder. Para entender melhor o que são as Monarquias Nacionais, como elas surgiram e qual foi o seu impacto nos dias de hoje, continue lendo esse artigo.

O Nascimento das Monarquias Nacionais

Durante a Idade Média, o poder da figura do Rei não era como costumamos imaginar. O Rei tinha um papel representativo na sociedade, porém, não tinha um poder político para tomar decisões. Os senhores feudais, por exemplo, não se submetiam a leis ou regras impostas por um rei.

Quando o rei tinha influência junto aos nobres que recebiam as terras dele. A situação dos reis passou a mudar com o reaquecimento das atividades comerciais durante o período da Baixa Idade Média. A importância dos reis cresceu assim como crescia a importância da burguesia e do comércio. 

O Poder dos Reis das Monarquias Nacionais

Com esse crescimento econômico, a necessidade de leis, regras mais definidas a cerca de territórios e dentre outras questões, precisou do poder do rei. A autoridade do rei passou a se fortalecer no que se referia a traços culturais e linguísticos do Estado. Porém, foi importante superar o universalismo político que era a marca registrada da Idade Média.

Grande parte desse universalismo existia devido ao grande poder que tinha a Igreja. Para se ter uma ideia, a Igreja era dona de uma grande extensão de terras e também impunha as leis que regiam os países e recebia os tributos próprios. Além disso, há que se lembrar que nessa época existiam os Feudos, cada qual com as suas próprias regras e leis.

Porém, os burgueses desejavam que houvesse uma centralização de poder e com isso um conjunto definitivo de regras e leis. Dessa forma era importante contar com um poder político e centralizado. Tantas leis locais diferentes acabavam por encarecer o trabalho dos burgueses. A falta de uma moeda padrão também era algo que tornava muito difícil calcular os lucros obtidos com o comércio. Além dos burgueses, os próprios senhores feudais passaram a dar mais poder ao rei a partir do século XI.

As relações servis dentro do feudo não eram mais as mesmas e com essa crise os camponeses passaram a se revoltar. Para poder enfrentar essa revolta a solução era formar exércitos com a ajuda do rei. Dessa forma, o poder do rei aumentou bastante e para consolidar ainda mais essa situação, o monarca passou a procurar ter mais poderes sobre as questões fiscais, militares e jurídicas.

Em suma, nesse novo cenário, o rei tinha poderes para criar e executar leis no estado e assim se criou as Monarquias Nacionais. Além de criar exércitos os reis também podiam cobrar impostos e legitimar leis. O sustentáculo dessa ascensão de poder do rei estava na força da burguesia e da nobreza feudal. 

Uma Ordem Nacional

Algo interessante de se observar é que durante muito tempo a delimitação dos países não existiu, pois a Europa estava basicamente dividida em feudos. Porém, com esse maior poder do rei, logo ele foi criando exércitos preparados e fortes. Com o passar do tempo, logo os seus exércitos eram muito mais numerosos do que dos do suserano.

Dessa forma, o rei pode fixar os limites de territórios criando uma ordem nacional. Além do poder das nações ter crescido, também houve a criação de uma moeda única. Os estados da Europa passaram a ter uma individualidade mais acentuada na figura de seu respectivo rei.

As duas principais Monarquias Nacionais foram a Francesa e a Inglesa, embora tenham existido várias outras. Conheça um pouco melhor sobre a Monarquia Nacional Francesa e a Inglesa.

Monarquia Nacional Francesa

A França é o maior exemplo de Monarquia Nacional da Europa e sua participação nesse momento da história começa com a queda dos Reis Carolíngios. Hugo Capeto, Conde de Paris começou uma nova dinastia, a Capetíngia, que teve duração entre os anos de 987-1328.

Foi exatamente durante essa dinastia que o poder do rei passou a ser mais concentrado e forte. Dentre os reis que mais se destacaram estão Filipe Augusto, Luis IX e Filipe IV. A figura do monarca passou a ser vista como a de um defensor dos burgueses, camponeses e também das virtudes cristãs.

Embora os reis estivessem “tomando” o poder que antes era da Igreja, ainda tinham como base de sua atuação a religião. Dessa ideia, surgiria mais para a frente o conceito de “direito divino dos reis”.

O objetivo dos reis dessa Monarquia Nacional (como em quase todas) era principalmente diminuir o poder do suserano dos feudos e assim se estabelecer como o poder maior. 

Monarquia Nacional Inglesa

A história peculiar de formação do Reino Inglês contribuiu e muito para o surgimento desse tipo de monarquia. No século V, as ilhas britânicas eram compostas por sete reinos dentro da mesma ilha. Esses reinos eram ocupados por povos germânicos conhecidos como Anglos e Saxões.

Durante os séculos VI e VII, os sete reinos foram reduzidos para apenas três e no século IX passou a ser um único reino. Esse reino passou a ser conhecido como Anglo-Saxão e foi nesse momento que o Feudalismo foi implantado na ilha.

No ano de 1066, Guilherme I, O conquistador e Duque da Normandia, derrotou o último rei anglo-saxão começando a Dinastia Normanda, pelo fato de esse Guilherme I ser um forasteiro e através de uma guerra, facilitou a centralização do poder. Esse era um rei sem compromissos com os nobres ou qualquer outro grupo.

Para garantir o controle pleno da Inglaterra, Guilherme I criou uma divisão do território em condados ou shires e para cuidar das mesmas colocou supervisores, os conhecidos sheriffs, funcionários do rei. Assim se formou essa Monarquia Nacional. 

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Categoria(s) do artigo:
História

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