Guerra Civil na Síria

A Síria é um país árabe que fica localizado no sudoeste asiático, faz fronteira com o Líbano, Israel, Jordânia, Iraque e Turquia. Com a ascensão do islamismo, foi um dos focos mais importantes da Civilização Árabe.

Obteve sua independência no ano de 1946 (república parlamentar), mas com o passar do tempo, sua instabilidade política foi aumentando. Entre 1946 e 1979, houveram diversos golpes militares, e a maioria das proteções constitucionais foram suspensas (em 1962). Desde 1963 o país é governado pelo partido Baath (com princípios nacionalistas árabes), que atualmente se concentra entre políticos e militares (ambas vertentes são autoritárias).

Os laços com o Irã começaram na década de 80, quando a Síria foi o único país árabe a apoiar a guerra de oito anos contra o Iraque. Hafez Al-Assad governou o país entre 1970 e 2000 (ano de sua morte), seu filho Bashar Al-Assad, é o governante até os dias atuais.

Guerra Civil e Primavera Árabe

Desde 2011 o país sofre com uma sangrenta guerra civil, mais de 120 mil pessoas já morreram nos conflitos entre as forças contrárias que querem a renúncia de Bashar Al-Assad e os defensores  do seu regime. Os protestos – que já destruíram várias cidades do país – fazem parte da “Primavera árabe”, uma expressão criada para designar a onda de protestos que marcou os países árabes e no norte do continente africano.

A Primavera Árabe marcou um período de transformações históricas nos rumos da política mundial, em que a população foi às ruas para derrubar ditadores ou reivindicar melhores condições de vida. Tudo começou em dezembro de 2010 na Tunísia, e em seguida a onda de protestos se estendeu para outros países. Países participantes (além da Síria): Tunísia; Líbia; Egito; Argélia; Iêmen; Marrocos; Bahrein; Jordânia e; Omã.

 A ONU pressiona a comunidade internacional – e é amplamente criticada por não ter um posicionamento – para promover a deposição da ditadura e dar um fim à guerra civil, mas a Rússia atrapalha as tentativas de intervenção no conflito, pois tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e muitos interesses na permanência de Assad no governo (a China também é a favor do governo dele).

Acredita-se que os golpes militares e as proteções constitucionais suspensas em 1962 são a base para o problema atual, naquela época, Hafez al-Assad era considerado um ditador, mas se manteve no poder durante 30 anos, já seu filho Bashar al-Assad é conhecido como mão-de-ferro.

As manifestações da população foram iniciadas em frente ao parlamento sírio, para conter os protestos e motins, o governo passou a contar com as forças militares, e com isso começaram os conflitos entre as população e os soldados (muitos soldados foram expulsos das forças militares, pois se recusaram).

Depois das represálias governamentais contra os guerrilheiros rebeldes, um grupo de civis (desertores) criaram o Exército Livre da Síria, que tinha como prioridade lutar contra as ações violentas ordenadas pelo presidente. Com isso, a guerra se tornou mais sangrenta, e em 2012, os inúmeros conflitos passaram a ser considerados como Guerra Civil. Cerca de 2 milhões de cidadãos buscaram refúgio em outros países, a grande maioria no Líbano (país vizinho).

Refugiados

Antonio Guterres – Comissário das Nações Unidas para refugiados – já declarou diversas vezes que a comunidade internacional deve trabalhar para acabar com o conflito, por temer que se estenda por muito mais tempo. Ele também anseia que outros países ajudem não só a Síria, mas também a Turquia, Líbano, Jordânia e outros países a abrigar seus respectivos refugiados.

Armas Químicas

Em 2013, diversos grupos oposicionistas denunciaram ataques com armas químicas nos subúrbios da capital Damasco. O número exato de vítimas (incluindo crianças mulheres e idosos) nunca foi confirmado, em razão do embargo imposto pelo regime de Bashar Assad à imprensa internacional, mas o governo nega todas as acusações. Nações ocidentais, árabes e o governo da Turquia solicitaram que a ONU investigasse os ataques.

Ativistas afirmam que foguetes com agentes químicos foram usados em diversos locais e diversas vezes, e que a maioria dos corpos apresentava tom acinzentado e palidez, sem ferimentos. Os que conseguiam escapar, apresentavam pupilas dilatadas, membros frios e uma espécie de espuma na boca, sinais que especialistas e médicos afirmam serem sintomas típicos de vítimas de gases.

Com isso, a Grã-Bretanha levou a questão ao Conselho de Segurança da ONU, e a França pediu que a ONU investigasse e confirmasse tais denúncias. Já  Turquia e a Liga Árabe pediram que inspetores analisassem os respetivos locais de ataques.

ONU – Organização das Nações Unidas 

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) diz que nenhum lado protege os civis, o conselho ainda afirma que os fracassos nas tentativas de resolução vão condenar a Síria, a região e os milhões de civis com um futuro incerto.  Segundo a organização, forças do governo têm atacado civis em situações rotineiras, e que as forças contrárias ao governo continuam a usar locais estratégicos e protegidos (mesquitas) que servem como bases para estocar armas.

Drogas Sintéticas e a Guerra na Síria

Infelizmente, a guerra estimulou o comércio das drogas sintéticas, pois o caos abriu as portas para os produtores, a Síria se tornou exportadora e consumidora de anfetaminas. A produção do estimulante Captagon cresceu em 2013, superando o vizinho Líbano. Os efeitos foram observado em alguns manifestantes detidos que foram interrogados, pois eles apanhavam e não sentiam dor, alguns até riam. A anfetamina foi produzida na década de 60 com o intuito de tratar doenças psicológicas, e foi proibida na década de 80 em muitos países.

O governo exagera ao dizer que a droga prevalece apenas entre adversários, todas as vertentes envolvidas na guerra são usuárias. Alguns médicos relataram que até mesmo os civis estão experimentando os comprimidos, psiquiatras interligam o aumento do consumo com as pressões econômicas e psicológicas.

Comerciantes garantem que o mercado gera milhões de dólares anualmente, além do fornecimento e financiamento de armamento. O país se transformou num importante produtor devido ao colapso da infraestrutura, o enfraquecimento das fronteiras e a proliferação de grupos armados nos confrontos. A localização facilitou o tráfico europeu e de países vizinhos (Turquia, Líbano, Iraque e Golfo).

por Lucila Helena Farias

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Categoria(s) do artigo:
História

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